Como o Acordo de Paris e a COP 26 podem influenciar seus investimentos?

Publicado por redator em

A mudança climática se tornou um aspecto decisivo para a perspectiva de longo prazo das empresas e dos investimentos. É o que afirma Larry Fink, presidente da BlackRock, maior gestora de recursos do planeta, em sua carta anual a CEOs divulgada recentemente.

O tom assertivo do texto é reflexo da mudança de consciência da sociedade em relação às questões ambientais, não deixando dúvidas de que o risco climático já é considerado uma ameaça para o mercado de investimento pelos maiores gestores financeiros.

Em razão disso, as decisões tomadas no âmbito do Acordo de Paris e da 26ª Conferência sobre o Clima da ONU (COP 26) devem ser acompanhadas de perto pelos investidores que desejam ter portfólios preparados para os desafios que o mundo enfrentará daqui para frente.

Continue a leitura para entender melhor quais são esses desafios e como os compromissos firmados em acordos climáticos podem impactar a sua carteira de investimentos no longo prazo.

O que é o Acordo de Paris e quais seus efeitos no mercado?

O Acordo de Paris foi assinado durante a COP 21 na capital francesa em 2015 e tem como objetivo reduzir o aquecimento global gerado pela emissão dos gases de efeito estufa.

Considerado um dos mais importantes acordos climáticos, o Acordo de Paris entrou em vigor em 4 de novembro de 2016 com a ratificação da expressiva maioria dos países signatários, entre eles o Brasil.

Seu ambicioso plano é fazer com que o aumento médio da temperatura do planeta fique abaixo de 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, reduzindo, com isso, os riscos e impactos da mudança climática na vida humana e no meio ambiente.

Para tanto, os governos signatários se comprometem a adotar políticas que incentivem o direcionamento de fluxos financeiros a iniciativas econômicas que reduzam emissões de gases de efeito estufa e promovam o desenvolvimento sustentável.

Desde que o Acordo de Paris foi firmado, diversas empresas passaram a avaliar o impacto de suas atividades sobre meio ambiente, o que se tornou um aspecto central da boa prática corporativa, inclusive no processo de tomada de decisão de grandes fundos de investimento.

A BlackRock, por exemplo, anunciou diversas iniciativas para colocar a sustentabilidade no centro de sua política de investimento, tais como:

  • Sustentabilidade como parte integrante da construção e gestão de risco;
  • Sair de investimentos com alto risco de sustentabilidade;
  • Lançar novos produtos de investimento que filtrem os combustíveis fósseis;
  • Fortalecer o compromisso com a sustentabilidade.

Ou seja, tudo visando o bem-estar geral. Para facilitar o entendimento, veja como os investimentos são afetados.

A COP 26 e os seus investimentos

As discussões da 26ª Conferência da ONU sobre o Clima estão sendo consideradas as mais relevantes desde o Acordo de Paris, que levou a maioria das grandes empresas a incorporar, em suas operações, princípios conhecidos pela sigla em inglês “ESG”:

  • Ambientais;
  • Sociais;
  • Governança.

As empresas que não se comprometerem com esses princípios devem enfrentar cada vez mais obstáculos para o financiamento de suas atividades, o que pode acabar impactando seus resultados e, consequentemente, o retorno do capital de seus investidores.

Entre os temas centrais da COP 26, realizada entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro de 2021 na cidade de Glasgow, Escócia, está a transição para a economia de baixo carbono e a redução das emissões de gases de efeito estufa. 

Com isso, as práticas sustentáveis devem deixar de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um requisito obrigatório para as empresas que pretendem continuar acessando o mercado de capitais nos próximos anos. 

Entre os efeitos mais imediatos da COP 26 nos investimentos, segundo especialistas, estão: mudança do fluxo financeiro para a capitalização de empresas comprometidas com metas ambientais.

Além do destravamento do mercado de carbono em todo o mundo através do sistema cap and trade, pelo qual serão estabelecidos limites de emissões. E as empresas que precisarem superá-los deverão adquirir permissões.

Fora o crescimento de práticas de compensação, como a recomposição de florestas, construção de usinas solares e eólicas no modelo de geração distribuída remota, reciclagem, entre muitas outras.

Dessa forma, é fundamental que os investidores estejam atentos às práticas sustentáveis das empresas e projetos nos quais investem, já que esses fatores serão determinantes para sua competitividade e até mesmo viabilidade no futuro próximo.

Texto: Gustavo Marques

Categorias: Sem categoria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *